Cantor: novas funcionalidades no KDE 4.14

KDE 4.14 foi lançado em agosto de 2014, mas até o momento não tive tempo para escrever sobre as novas funcionalidades do Cantor disponíveis naquele release.

Portanto, vamos corrigir isso agora!

Novo backend: Lua

A família de backends do Cantor tem um novo membro: Lua, usando a implementação luajit.

Este backend já dispõe de várias funcionalidades: destaque de sintaxe, auto-complementação de código, carrega figuras no terminal, editor de scripts, e mais

Cantor + Lua em ação

O backend para Lua foi desenvolvido pelo brasileiro Lucas Negri, e isso é um motivo para eu ficar muito feliz. Bem-vindo a bordo Lucas!

Você pode ler mais sobre esse backend em um texto no blog do Lucas.

Uso de utf8 em códigos LaTeX

Quando você exporta seu terminal para LaTeX, a codificação utf8 agora é utilizada por padrão. Essa melhoria foi desenvolvida por Lucas.

Suporte à extensão pacotes nos backends para Sage e Octave

Agora estes backends tem um assistente para importar pacotes/módulos/bibliotecas.

Suporte para scripts que executam automaticamente

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Scripts para execução automática no backend para Python 2

Agora os backends para Python 2, Scilab, Octave, Sage, Maxima, Qalculate, e KAlgebra tem suporte para execução automática de scripts. Você pode configrar uma série de scripts ou comandos que serão executados no momento em que o Cantor carregar o terminal – ou seja, durante a inicialização.

Adicionado CTRL+Space como alternativa padrão à complementação de código no terminal

O comando padrão para complementação de código no terminal do Cantor é o botão TAB, mas agoras temos uma alternativa a isso: CTRL + Space. Isso manterá a consistência entre o editor de scripts (onde o comando padrão para essa funcionalidade é CTRL + Space) e o terminal.

Suporte inicial para os assistentes de algebra linear e criação de gráficos no Python 2

Desenvolvi um suporte inicial para dois plugins legais no backend para Python 2: algebra linear e criação de gráficos.

Primeiro, vamos ver o plugin de algebra linear. Na barra de menu, vá em Algebra Linear > Criar Matriz. Uma janela para criação de matrizes será aberta. Você deve então colocar os valores nas células.

python3_linearalgebraAssistente de criação de matriz

Após clicar no botão ‘Ok’, o comando para criação de matrizes da biblioteca numpy será carregado no terminal, automaticamente.

python2_linearalgebra_resultNova matriz criada

Por agora este plugin tem implementado apenas o suporte para criação de matrizes.

Veremos agora o plugin para criação de gráficos, que serve tanto para gráficos 2D quanto 3D. Façamos x = numpy.arange(0.0, 2.0, 0.01) e, na barra de menu, vamos em Gráfico > Gráfico 2D. A janela abaixo será aberta.

python2_graphicAssistente para criação de gráficos 2D

Você pode configurar uma expressão para o eixo Y (neste caso estou usando a função seno numpy.sin) e uma váriável ou função para o eixo X (neste caso, 2 * x * numpy.pi). Você poderia apenas colocar x no nome da variável para criar um gráfico dos valores de x.

Após pressionar ‘Ok’, o comando usando pylab será carregado no terminal para criar o gráfico.

python2_graphic_resultO assistente para gráficos 3D segue um padrão similar para criar as figuras.

Como você pode ver, utilizar esses assistentes requer alguns módulos do python carregados na área de trabalho, e eles devem ter os mesmos nomes utilizados nos plugins. Existem diversas formas de carregar módulos no ambiente python (import foo; import foo as [anyname]; from foo import *; etc), então fazer isso de forma genérica é praticamente impossível (na verdade eu queria ouvir algumas sugestões sobre isso da comunidade).

Minha escolha foi carregar numpy, scipy, matplotlib e pylab quando o backend para Python 2 é carregado pelo Cantor. Bem, eu pretendo mudar isso porque esses módulos passam a ser obrigatórios para o backend funcionar corretamente, e também porque pylab não é mais recomendado nas versões recentes do matplotlib. Então, eu espero alterar esse plugin o quanto antes.

De qualquer forma, gostaria de escutar as opiniões da comunidade de usuários de python no ambiente científico sobre essas funcionalidades.

Futuro

No momento estamos trabalhando no port do Cantor para Qt5/KF5. Você pode acompanhar esse trabalho no branch ‘frameworks‘ do repositório do Cantor.

Doações

Se você usa ou aprecia meu trabalho no Cantor, ou em algum outro projeto de software livre, por favor considere fazer uma doação para mim: assim eu poderei continuar me dedicando à contribuições e melhorias nesses projetos.

Você poderia considerar uma doação para o KDE também, e ajudar com a manutenção dessa grande comunidade de software livre e os projetos desenvolvidos por ela.

Mês do Contribuidor KDE: …para o Akademy

Nas últimas semanas tive um intenso “mês do contribuidor KDE” que começou com o LaKademy, a conferência latinoamericana, e terminou com o Akademy, a conferência mundial. Foi um mês um tanto cansativo, de muito trabalho, mas que também foi repleto de boas histórias, grandes reencontros, novos contatos, descobertas e, por que não dizer, divertido.

No artigo anterior falei sobre o LaKademy, e agora comentarei o que rolou no Akademy.

O LaKademy havia terminado apenas um dia antes e lá estava eu, novamente pegando ônibus à São Paulo e me preparando para uma viagem que levaria por volta de 35 horas até Brno, contando com uma escala inusitada em Dubai e um ônibus de Praga, a capital da República Checa, até a cidade do evento.

Chegando à Brno chamou-me atenção a bela arquitetura de cidade antiga do leste europeu, algo exótico para nós brasileiros. Durante o evento pude vez ou outra me aventurar pela cidade, principalmente em algumas noites para jantar e no Day Trip, e consegui apreciar com calma os detalhes de vários prédios, museus, o castelo, e a catedral da cidade.

Esse Akademy foi o segundo que participei, se contarmos o Desktop Summit em 2011. Dessa vez estava como membro do KDE e.V., a organização que gerencia a parte burocrática/política do KDE, portanto minha primeira atividade foi participar da assembleia geral.

Me encantou a maneira como dezenas de contribuidores de diferentes lugares do mundo e linhas de atuação estavam ali, discutindo o futuro do KDE, planejando passos importantes para o projeto, verificando as contas da entidade, enfim, fazendo um trabalho típico de qualquer associação. Achei também impressionante a longa salva de palmas que Cornelius Schumacher, integrante do Board do KDE e.V. desde 2002 e ex-presidente da associação, recebeu dos presentes, uma maneira de demonstrar gratidão por todo o trabalho que ele realizou nesses mais de 10 anos na direção da entidade.

Para finalizar o dia teve uma recepção aos participantes na Red Hat, que me impressionou pelo tamanho da empresa na cidade (três grandes prédios). Lá pudemos tomar cervejas do país e distribuímos um pouco da cachaça brasileira. =)

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O dia seguinte iniciou a fase das palestras, das quais destaco o keynote do Sascha (que acredito ter sido convidado para o Akademy após o Kevin Ottens ter assistido a palestra dele aqui no Brasil durante o FISL desse ano), e a palestra sobre o GCompris, um software que admiro bastante pela pegada direcionada às crianças. Infelizmente, uma das palestras que queria ter assistido não ocorreu, que foi a Cofunding KDE aplications. Em seguida tivemos o David Faure falando sobre ports para o KF5, e mais para o fim do dia uma apresentação dos grupos do KDE da Índia e Taiwan.

No segundo dia de palestras teve o curioso keynote do Cornelius que apresentou um pouco da história do KDE a partir de imagens de antigos contribuidores do projeto. Os destaques desse dia também foram as apresentações do pessoal do VDG, o grupo que está fazendo um belo trabalho de design no Plasma 5 e agora estão estendendo o alcance do ponteiro dos seus mouses para as próprias aplicações do KDE.

Outra apresentação interessante foi sobre Next Generaion of Desktop Applications, do Alex Fiestas, onde ele argumentou que os softwares da nova geração precisam combinar informações provenientes de diferentes serviços da internet, de forma a prover ao usuário uma experiência única. Ele usou alguns exemplos de aplicações desse tipo, e estou muito curioso para experimentar o Jungle, player de vídeo que terá essas características.

Finalizando este dia tivemos a palestra do Paul Adams, muito instigante, mostrando que após investigação no repositório do KDE podemos perceber que o grau de contribuição entre os desenvolvedores diminuiu com a passagem do SVN para o GIT, que o número de commits caiu, etc. Paul tem interessantes trabalhos nessa área, mas de minha parte acho que se faz necessário outros aportes para explicar isso, inclusive para entendermos se isso é algo necessariamente ruim. Talvez hoje estejamos mais especializados do que antes? Talvez a baixa dos commits seja apenas resultado da estabilização da base de código durante esse tempo? Algo que ainda não concluímos no KDE é entendermos que passamos de um grande projeto unificado (inclusive a nível de repositório) para uma grande comunidade de subprojetos (hoje nós somos meio como a Apache). Nesse cenário, cabe fazermos comparações com o que somos hoje com o que fomos ontem, baseado apenas nos nossos repositórios? De qualquer forma, é um bom ponto para refletirmos.

Já na fase dos BoFs, participei nas primeiras duas partes do voltado à documentação de software – um trabalho importante e necessário, e que todos nós desenvolvedores poderíamos dar um pouco mais de atenção -; FOSS em Taiwan e KDE Edu na India. Infelizmente não pude comparecer ao de empacotadores (bem, eu faço empacotamento no Mageia), porque chocou com o de Taiwan. Fica para a próxima. =)

No geral gosto de ver as experiências dos grupos de usuários/desenvolvedores em outros países; a parte gerencial dessas atividades me atrai, principalmente porque podemos aplicar uma ou outra no Brasil. Saí desse Akademy com o desejo de preparar algo sobre a América Latina para o próximo evento. Acredito que temos muito a compartilhar com a comunidade sobre o que andamos fazendo por aqui, nossos erros e acertos, e qual a contribuição dos latinoamericanos para o projeto.

Finalmente, nos demais dias continuei trabalhando no port do Cantor para KF5 ou estava conversando com diferentes colaboradores do projeto pelos corredores da universidade.

Para mim é muito importante participar do Akademy pois nele eu consigo visualizar a extensão do software livre e seus contribuidores, e como essa cultura da colaboração reúne gente tão diferente em prol do desenvolvimento e evolução de programas de computador livres. Portanto, gostaria imensamente de agredecer ao KDE e.V. pela oportunidade e dizer que me sinto muito bem em fazer parte dessa grande comunidade que é o KDE. =)

E o melhor de tudo é rever o pessoal e conhecer novas pessoas. A hora em que aquele endereço de e-mail ganha contornos de face humana é um momento muito especial para nós que trabalhamos “tão próximos e tão distantes”, para usar esse chavão bastante verdadeiro. Portanto, foi muito bom estar com todos vocês pessoas!

Foto da comunidade KDE no Akademy 2014 – aqui em tamanho gigante

E fica meu desejo de bom trabalho ao novo Board do KDE e.V.!

Quem tiver interesse, boa parte das palestras está com vídeo e slides neste link.

Mês do Contribuidor KDE: Do LaKademy…

Nas últimas semanas tive um intenso “mês do contribuidor KDE” que começou com o LaKademy, a conferência latinoamericana, e terminou com o Akademy, a conferência mundial. Foi um mês um tanto cansativo, de muito trabalho, mas que também foi repleto de boas histórias, grandes reencontros, novos contatos, descobertas e, por que não dizer, divertido.

Nesse artigo irei falar do LaKademy, e no próximo comentarei o que rolou no Akademy.

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A segunda edição do LaKademy ocorreu em São Paulo, uma das maiores cidades da América Latina, no Centro de Competência em Software Livre da USP, um prédio inteiro dedicado à estudos e pesquisas sobre vários aspectos do software livre: licenças, engenharia de software, métricas extraídas de repositórios, aspectos sociais da colaboração, e mais.

Nesta edição coube a mim e à Aracele fazermos todos os ajustes da organização do evento, e acredito que cumprimos bem o objetivo de prover toda a estrutura necessária para termos bons dias de trabalho em locais agradáveis e confortáveis.

No primeiro dia tivemos uma série de palestras dos colaboradores, e uma das que mais me chamaram atenção foi do Rafael Gomes sobre o sysadmin do KDE. É impressionante o tamanho da estrutura que está nos bastidores, uma sólida base que permite aos desenvolvedores realizarem seu trabalho. Taí um campo que seria interessante divulgarmos mais para tentarmos atrair possíveis colaboradores que preferem esse lado da computação.

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Nesse dia eu também apresentei uma palestra sobre Qt no Android, descrevendo como configurar o ambiente no Linux, apresentando um Hello World básico, e comentando sobre diversos softwares já disponíveis que usam essa tecnologia, em especial o VoltAir e o GCompris. Segue abaixo a apresentação

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No segundo dia tivemos um mini-curso sobre Qt, apresentado pelo Sandro Andrade. Impressionante a didática dele e como consegue prender nossa atenção durante um dia inteiro sem ficar enfadonho ou cansativo. Meu trabalho nesse dia foi mais auxiliar os demais participantes, em especial aqueles que estavam tendo contato com Qt pela primeira vez.

Os terceiros e quartos dias foram dedicados ao hacking de aplicações e desenvolvimento de projetos. Eu dei uma força no multirão para portar o Bovo para KF5, iniciei o desenvolvimento de um metapacote para instalar todo o KF5 no Mageia, e comecei a portar o Cantor para KF5. Também trabalhei na reconfiguração dos bots do KDE Brasil nas redes sociais, uma pendência que tínhamos já há algum tempo.

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Força-tarefa-multirão trabalhando no Bovo

No quarto dia também tivemos uma reunião para discutir algumas iniciativas de promoção do KDE na América Latina, e começamos a usar o Kanboard do KDE TODO para organizar a execução desses projetos.

Além do trabalho tivemos momentos de descontração no evento, como quando fomos visitar um dos principais hackerspaces de São Paulo, o Garoa Hacker Clube numa atividade que chamamos de Konvescote; e também quando fomos todos para a Augusta, uma das famosas ruas boêmias da cidade.

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KDE + Garoa

Entretanto, como aliás em todos os eventos do KDE Brasil, o melhor de tudo foi reencontrar os amigos e conhecer outros novos que estão chegando ao barco. Para os últimos, que sejam todos bem-vindos e vamos arregaçar as mangas! Para os primeiros, que tenhámos ainda uma boa estrada pela frente nessa ideia de escrever software livre e, de alguma forma, retribuir para o mundo algo como programas de alta qualidade técnica e que respeitam o usuário.

O KDE Brasil escreveu um excelente review enumerando o que a comunidade produziu durante o evento, sugiro a todos que queiram ainda mais informações a darem uma olhadinha lá.

E fica meu agradecimento ao KDE e.V. por proporcionar esse encontro! Espero ver muito mais contribuidores no próximo LaKademy!

CineUFSCar apresenta: The Internet’s Own Boy: The Story of Aaron Swartz

Pra você que está em São Carlos, logo mais teremos a apresentação do documentário “The Internet’s Own Boy: The Story of Aaron Swartz“, sobre a, infelizmente, curta trajetória do ciberativista Aaron Swartz.

Após o documentário teremos um bate-papo comigo, Aracele Torres (FFLCH/USP) e o prof. João Massarolo (UFSCar) tanto sobre Aaron quanto sobre demais temas retratados no documentário: os movimentos sociais em rede, as pautas, as táticas de luta, outros protagonistas que também merecem destaque, acesso aberto ao conhecimento, compartilhamento, copyright, software livre, e muito mais.

Esperamos vocês!

Serviço
Nome: CineUFSCar apresenta: The Internet’s Own Boy: The Story of Aaron Swartz
Local: Anfiteatro Bento Prado Jr
Horário: 19:00
Data: 24/09/2014
Endereço: Rodovia Washington Luís, km 235 – SP-310, próximo da Biblioteca Comunitário da UFSCar
Sessão gratuita: Sim
Para maiores informações: www.cinema.ufscar.br
Realização: UFSCar, CCult, ProEx, GEMInIS

Minha lista TODO para o LaKademy 2014

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Nesta semana em São Paulo, uma das maiores cidades deste planeta, sediará a segunda Conferência Latino Americana do KDE – ou, como chamamos, o LaKademy!

O evento ocorrerá no Centro de Competência em Software Livre da Universidade de São Paulo, um lugar interessante onde academia, empresas, e comunidades, trabalham juntas para criar, melhorar, e pesquisar sobre software livre.

Neste evento, a comunidade Latino Americana do KDE tentará algo novo: teremos apresentações sobre particularidades do KDE. Em eventos específicos do KDE por aqui, é mais comum termos apenas sessões de hacking, enquanto as apresentações e mini-cursos são ofertados nos eventos de software livre mais gerais. Desta vez nós organizamos um evento aberto para não-contribuidores do KDE, e talvez ao final eles se tornem contribuidores do projeto.

A programação do evento tem vários assuntos: arte, port de softwares do GTK para Qt (um potencial flamewar), KDE Connect, e mais. Eu apresentarei um tutorial introdutório sobre C++ + Qt + KDE no Android. O principal caso de estudos será o GCompris, e será interessante mostrar um software cujo o mesmo code pode ser compilado e executado no Linux e no Android. Também apresentarei outros softwares: liquidfun, uma biblioteca C++ para simulação de fluídos (que tem uma demo muito massa no Android); VoltAir, um jogo desenvolvido em QML pelo Google para o Android (e open source!); e talvez KAlgebra, mas eu preciso compilá-lo ainda.

Sim, isso é C++ e QML no Android!

Para as sessões de hacking eu reservarei um tempo para estudar o port do Cantor para Qt5/KF5; é hora de começar esse trabalho. Ainda sob esse tópico, pretendo conversar com os amigos do KDE sobre um software para auxílio de escrita de artigos científicos… mas bem, espere por novidades no próximo ano. =) Farei também algum trabalho com os bots do KDE Brasil que funcionam nas redes sociais, corrigindo alguns bugs, etc.

Para as reuniões, espero discutir sobre as ferramentas de comunidação que temos (e minha proposta é usar o KDE todo para auxiliar no gerenciamento de nossas ações), e contribuir com a avaliação das ações do KDE Brasil no nosso país. Desde o pultimo LaKademy (2012, Porto Alegre), nós continuamos a promover o KDE nos eventos de software livre, e pudemos trazer vários contribuidores do KDE para o Brasil. Agora é hora de pensarmos em mais e novas atividades para realizarmos.

Mas LaKademy não é apenas sobre trabalho. Nós teremos algumas atividades culturais também, como o Konvescote no Garoa Hacker Club, um hackerspace em São Paulo, e algumas cervejas para bebermos na Vila Madalena. Mais importante, estou muito feliz em rever os amigos do KDE de novo (Brasil, por que tão grande?).

Estamos trabalhando para fazer um LaKademy fantástico esse ano! Fique de olho no Planet KDE e no Planet KDE Português para acompanhar mais notícias diretamente do evento!

Vejo você no LaKademy!

(ou no Akademy, mas isso é história para um outro post :) )

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Seminário na UNICAMP: “Tecnologias livres para o futuro”

Amanhã teremos um seminário legal reunindo uma galera legal discutindo um tema legal e espinhoso.

Quem não puder ir na Unicamp, vai ter transmissão via stream.

Esperamos vocês heim!

Tecnologias livres para o futuro

Depois de anos de lutas e sucessos, as tecnologias livres, especialmente o movimento software livre, vivem um momento singular. Em paralelo à crescente adoção por pessoas, governos, empresas e coletivos, surge um sentimento de que o próprio movimento está morrendo, diluído em estratégias corporativas, utopias sobre a comunicação em rede, dispositivos móveis e novas travas tecnológicas. A proposta desse debate é reunir pesquisadores interessados em aspectos técnicos, sociais, políticos, comportamentais e produtivos das tecnologias livres e, a partir de investigações sobre a história, as ideias e prática dessas tecnologias, buscar traçar questões e princípios que orientem reflexões sobre cenários futuros. Por que caminhos os movimentos em torno de tecnologias livres devem orientar suas lutas cotidianas de modo a fortalecer a igualdade de oportunidades, a colaboração e a justiça que fundamentam esses movimentos? A estrutura do evento privilegiará a conversa e a livre troca de ideias, com falas curtas de alguns participantes seguidas de um debate aberto.

Local: Labjor – Unicamp

Horário: das 10h às 13h e das 14h às 17h

Manhã

Rafael Evangelista: As ideologias free e open: a questão da igualdade

Miguel Said Vieira: Governança, estratégias e conflitos de interesse

A apresentação tratará de questões ligadas a governança e conflitos de interesse (entre empresas e usuários caseiros) em dois casos de software livre: o Android (e sua relação com as estratégias comerciais da Google); e os patches “ck” do kernel.

Filipe Saraiva: Software Livre – Tensões entre Movimento e Mercado

Discussão sobre as contradições de um movimento apropriado tanto por coletivos de ativistas sociais quanto por grandes empresas. A exposição se baseará principalmente na ideia da diluição de alguns aspectos ideológicos do movimento com o crescente número de usuários de software livre, e a relação entre empresas e software livre. Em seguida serão comentados alguns desafios do movimento, com foco principal na computação ubíqua.

Bruno Buys: O Movimento Software Livre no Brasil morreu? Que desafios se colocam no presente e o que podemos inferir para o futuro?

Tarde

Aracele Torres: Como a indústria do software adotou o padrão de código fechado

Uma breve história da indústria do software e como foi seu processo de inclusão no circuito de propriedade intelectual e o papel do Projeto GNU em se contrapor a isso. A ideia aqui seria discutir um pouco dessas tensões entre as demandas do mercado e as demandas sociais por acesso ao conhecimento.

Tiago Chagas Soares: Política e comunidade na emergência da Cibercultura

Um breve ensaio sobre algumas das proposições políticas e comunitárias presentes na emergência da Cibercultura. Como as noções de comunidade e autonomia individual na Cibercultura  entrelaçariam distintos vetores do pensamento político e cultural? – e como isso se manifestaria em conflitos intra e entre correntes ciberculturais? Neste debate, traremos à discussão o Forum Internacional de Software Livre (Fisl) como espaço a ilustrar esse panorama de pensamentos diversos, bem como seus componentes.

Fabrício Solagna: (vídeo) Movimento software livre, Propriedade Intelectual e direitos de internet

A exposição pretende trazer os conceitos de Kelty e Coleman sobre o movimento software livre global. Para analisar o caso brasileiro é usado Shaw e seu conceito de insurgent expertise relacionando a sua interface com a mobilização em torno do Marco Civil da Internet. O objetivo é discutir questões peculiares do Brasil onde a ascensão de quadros envolvidos com o movimento software livre dentro do Estado trazem uma nova agenda do software livre.

Vídeo

Essa atividade foi filmada e disponibilizada no Youtube. Houveram alguns problemas com a preparação da gravação e tal, mas dá pra acompanhar tranquilo e ficar por dentro do que rolou.

KDE passando o chapéu para realização do Randa Meeting 2014

Desde 2009 o KDE reúne durante alguns dias diversos desenvolvedores na cidade suíça de Randa para trabalharem em projetos chave da comunidade. Esses sprints já resultaram em importantes avanços para os usuários das tecnologias desenvolvidas pelo KDE, como o KDE Frameworks 5, o Plasma Next, melhorias no Qt, diversos softwares do KDE Edu, e mais.

Em 2014 haverá uma nova edição desse encontro, o Randa Meeting 2014, e a comunidade iniciou uma campanha de arrecadação para custear essa atividade.

Visite a página da campanha ou a versão que o KDE Brasil traduziu e saiba mais sobre os projetos desenvolvidos nas edições anteriores, quais os planos para a edição de 2014, quem deverá participar, quais os tipos de despesas, e mais.

Eu já fiz minha contribuição, agora é com você – seja usuário, desenvolvedor, ou simpatizante do KDE ou das comunidades e ideias do software livre em geral, contribua! Toda ajuda é bem-vinda.