Os sonhos, para os sonhadores, não envelhecem jamais

Sempre votei nulo ou não votei – justifico. É uma posição que estou repensando aos poucos, mas como de qualquer forma este ano não votarei, ela atualmente continua a valer. Essa forma de me colocar parte de minhas aspirações a uma sociedade que se organiza pela base, onde as pessoas são de fato os atores políticos por excelência, sem delegar a um outro seus direitos e deveres quanto à constituição do tecido social que decide o futuro do município/estado/país. Um modelo político em que não houvessem “acomodados”.
Essa crença vem de minha raiz anarquista, ou socialista libertária. Seria uma espécie de democracia ao extremo, mas sem qualquer relação com esse modelo de hoje que sobrepujou a amplitude do termo “democrático” e nos fez esquecer de seu verdadeiro caráter, que é o tipo representativo.
Mas isso não impede de me sensibilizar com alguns atores que se lançam nesse processo eleitoral. Plínio de Arruda Sampaio é um nome conhecido por todos aqueles que tem proximidade com a esquerda, principalmente por conta de sua histórica militância pela reforma agrária de verdade no país.
Vê-lo em seus 80 anos, forte em suas convicções, é reconfortante. Uma pessoa que dedicou sua vida ao ideal da sociedade socialista, que não negocia com demais interesses, que não pagou o preço do dito “pragmatismo” – que resultaria em colocar seus sonhos de lado. Esse é o Plínio, e sua fala final no debate na Globo, no video acima, transmite tudo isso.
Alguns podem achar piegas, outros diriam que é bobagem. Pouco importa. O que Plínio irá deixar nessas eleições é o legado de uma proposta socialista-democrática que reverberará entre os jovens. Seu partido, o PSOL, deverá ganhar mais visibilidade entre eles. Para além, a participação de Plínio nestas eleições constituirá um golpe certeiro naqueles que defendem a hegemonia de Heloísa Helena e sua corrente dentro do partido. O PSOL será outro após o dia 3 de outubro.
Já Plínio, é daqueles bons sonhadores – para os quais, os sonhos não envelhecem. Jamais.
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