Filipe Saraiva's blog

Tecnologia, sociedade e política.

Archive for the ‘Acadêmico’ Category

Qualis Conferências para Ciência da Computação

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Se preferir vá direto ao documento Qualis Conferências para Ciência da Computação 2012; ou leia o texto para contextualização sobre o tema.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), juntamente com as sociedades científicas das diferentes áreas, mantém um índice de avaliação sobre os veículos de publicação científica utilizados pelos pesquisadores. Esse sistema, conhecido como Qualis, leva em conta uma série de critérios como indexação em bases de dados, fator de impacto, índice H, e outros, para estratificar os veículos que variam, do menor para o maior, entre os índices C, B5, B4, B3, B2, B1, A2, e A1.

É mais comum encontrarmos referências ao índice Qualis quando falamos de periódicos científicos – entretanto, determinadas áreas tem algumas especificidades e o Qualis acaba sendo aplicado também em outros meios de divulgação científica.

Por exemplo, para a área de Ciência da Computação, as conferências podem ter Qualis. O parágrafo abaixo, retirado do Documento de Área 2013 – Ciência da Computação, justifica:

(…) Na área, as publicações submetidas a conferências tradicionais passam por um rigoroso processo de avaliação por pares e os artigos publicados, disponíveis em bases de dados internacionais, são hoje tão importantes para o avanço da área como os melhores artigos em veículos classificados de periódicos. Qualquer pesquisador da área de Ciência da Computação sabe que há conferências de enorme prestígio e que os artigos publicados nos anais dessas conferências são levados em alta conta em avaliações de pesquisa. Há documentos, inclusive do IEEE, enfatizando a importância das conferências para a área.

Eu não sei como funciona nas outras áreas, mas imagino que cada qual deve ter um certo conjunto de conferências cujas características casam com as descritas acima. Mas enfim, a decisão sobre o uso ou não de Qualis em conferências depende de cada área e, se elas não utilizam, deve haver algum motivo – ou não, muito pelo contrário. =)

Para calcular o Qualis das conferências de Ciência da Computação, foi montado um banco de dados com artigos provenientes de aproximadamente 1650 eventos científicos. Esses artigos foram extraídos de repositórios reconhecidos na área, como o DBLP, ACM-DL, IEEEXplorer, BDBComp, e outros. Também foi utilizado o número de citações de cada artigo, dado extraído através do Google Scholar.

A partir desses dados, foi estimado o índice H para as conferências. Há inclusive um site onde é possível pesquisar esse índice para cada conferência da base de dados, o SHINE – Simple H Index Estimation. Com o índice H, aplicou-se os limiares calculados na classificação dos periódicos e, assim, foi possível estratificar as conferências no índice Qualis.

O documento atual da Qualis Conferências para Ciência da Computação data de 2012. Como o anterior foi produzido em 2010, há a perspectiva de que esse documento será atualizado esse ano. Fique de olho na página da Comissão de Área – Ciência da Computação na CAPES pois o documento deverá ser disponibilizado por lá – ou fique atento a esse blog pois escreverei sobre assim que sair a nova versão.

Ajude a criar a programação do FISL 15

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O Fórum Internacional de Software Livre (FISL) chega à sua 15ª edição e continua sendo referência para a comunidade de software e cultura livre latino-americana.

Você pode tanto participar da programação do FISL quanto ajudar a criá-la. Diversas modalidades de submissão de atividades encontram-se abertas, e você pode clicar nos links abaixo para saber mais informações.

A Chamada de Palestas foi prorrogada até o dia 27 de fevereiro, mesmo já havendo 413 propostas cadastradas! Esta é a forma de submissão de atividade mais convencional onde você descreve um tema sob qual irá palestrar.

A Chamada para Encontros Comunitários é voltada para comunidades de usuários/desenvolvedores que queiram fazer um pequeno encontro no espaço do FISL. O tempo disponibilizado pode ser um pouco maior que o de uma palestra (até 1 hora e 40 minutos de atividade). Submissões até dia 10 de março.

Uma das melhores atrações do FISL com certeza é o espaço dos grupos de usuários. Se você quer ter a sua comunidade por lá fique atento ao prazo e requisitos da Chamada de Grupos de Usuários. As propostas para participação desse espaço vão até dia 10 de março.

A Chamada para o Workshop de Software Livre (WSL) é o lado mais acadêmico do FISL. Aqui, pesquisadores acadêmicos do software livre, cultura livre, e mais, apresentam resultados de suas pesquisas em painéis científicos divididos por temas. Há diversos tipos de submissão de artigos e o deadline vai até dia 8 de março.

Mandem suas atividades e nos encontramos no FISL! ;)

Open Access na área de Inteligência Artificial

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O movimento pelo acesso aberto à produção científica (também conhecido como Open Access, Ciência Aberta, e outros nomes) já não é novidade há uns bons anos. Desde seu surgimento já tivemos diversos manifestos, lançamentos de revistas específicas que adotam essa política, algumas editoras permitindo a publicação de artigos nesses moldes em revistas convencionais, debates sobre formatos, tentativas de implementação de políticas públicas sobre o tema, sociedades científicas disponibilizando os anais de suas conferências para o público em geral, e mais.

Recentemente a Sociedade Brasileira de Automática (SBA) tornou público os artigos apresentados das edições de 2001 à 2011 do Simpósio Brasileiro de Automação Inteligente (SBAI), importante fórum de pesquisadores da área de automação, inteligência artificial, otimização, robótica, e afins.

Aproveitando esse episódio resolvi começar uma lista, ainda que incompleta, com conferências e revistas de acesso aberto da área de inteligência artificial e suas sub-áreas. O que me chamou atenção é que há um número até razoável de conferências e revistas desse tipo com alto impacto na comunidade de pesquisadores quando levamos em conta o índice Qualis para ciência da computação (extratos A1-A2-B1), que também atribui notas para conferências. Utilizei o índice definido na Avaliação Trienal 2010, pois o índice para conferências da Avaliação Trienal 2013 ainda não foi publicado.

Isso foi uma constatação positiva pois uma das críticas que o Open Access recebe é o baixo impacto de publicações desse tipo quando comparadas à publicações fechadas, já estabelecidas há mais tempo.

Vamos à lista, e se você tiver alguma contribuição favor colocar nos comentários que irei atualizá-la aos poucos:

Revistas

Conferências

Aproveitando o tema gostaria de parabenizar a Association for the Advancement of Artificial Intelligence (AAAI), ex-American Association for Artificial Intelligence, por disponibilizar os anais de todas as suas conferências e ainda apoiar o Journal of Artificial Intelligence Research e o International Joint Conference on Artificial Intelligence. Você pode visitar a biblioteca digital da AAAI e baixar os artigos das revistas, conferências, e relatórios técnicos, ficando exclusivo para sócios apenas os artigos da revista não-científica AI Magazine. Gostei bastante dessa política da entidade e, como a defesa do acesso aberto é um tema caro para mim, pretendo associar-me à AAAI assim que possível.

E você de outra área, já teve curiosidade em buscar por revistas e conferências de acesso aberto em seu campo?

* Importante dizer, a revista Artificial Intelligence, publicada pela Elsevier, não é de acesso aberto. Entretanto, você pode criar um cadastro gratuito na IJCAI e ter acesso ao conteúdo da revista – o que não garante que estes artigos estarão disponíveis sempre.

JCRIS 2014 – 11 encontros de robótica e inteligência artificial reunidos em São Carlos

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Campus I da USP – São Carlos

Temos no Brasil diversas conferências científicas sobre inteligência artificial/computacional e robótica. Só sociedades científicas que tratam sobre esses assuntos temos três: a Sociedade Brasileira de Computação (SBC), a Sociedade Brasileira de Automática (SBA) e a Sociedade Brasileira de Inteligência Computacional (SBIC, ex-Sociedade Brasileira de Redes Neurais – SBRN).

Mas já faz alguns anos que existe uma prática de realizar alguns destes eventos em conjunto.

Esse ano acredito ser um recorde – serão 11 eventos simultâneos. Sob o guarda-chuva chamado JCRIS 2014 – Joint Conference on Robotics and Intelligent Systems Meeting, teremos de 18 a 23 de outubro, em São Carlos, as seguintes conferências e atividades:

  • LARS/SBR – 11th. Latin American and 2nd. Brazilian Robotics Symposium
  • ROBOCONTROL – 6th. Workshop in Applied Robotics and Automation
  • CTDR/WTDR – 2nd. Workshop on MSc Dissertation and PhD Thesis in Robotics
  • WRE – 5th. Workshop of Robotics in Education
  • BRACIS – Brazilian Conference on Intelligent Systems
  • ENIAC – Encontro Nacional de Inteligência Artificial e Computacional
  • CTDIAC – 7th. Concurso de Teses e Dissertações em Inteligência Artificial e Computacional
  • LARC – 13th. Latin American Robotics Competition
  • CBR – 12th. Competição Brasileira de Robótica
  • OBR – 8th.  Olimpíada Brasileira de Robótica
  • MNR – 4th.  Mostra Nacional de Robótica

E olhando a lista de pronto lembro-me de pelo menos 2 outras conferências da área que não ocorrerão nesse JCRIS – o Simpósio Brasileiro de Automação Inteligente (SBAI) e o Congresso Brasileiro de Inteligência Computacional (CBIC), normalmente organizados em anos ímpares.

Aos interessados já há chamada de trabalhos abertas para várias dessas conferências. Visite o site do JCRIS 2014 para mais informações.

E aos amigos que vierem a São Carlos, não esqueçam de avisar ok? ;)

Written by Filipe Saraiva

January 22nd, 2014 at 11:06 am

Periódico – um planet para os blogs de ciências do Brasil

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Com a recente discussão sobre uma possível “crise” nos blogs brasileiros de ciência, ganhou corpo a ideia de que um agregador para o conteúdo desses blogs seria uma solução bem-vinda para auxiliar na divulgação dos conteúdos produzidos e fortalecimento de uma identidade de comunidade em torno dos divulgadores de ciência.

Eu já havia escrito sobre isso, comentando a ideia de planet, bastante comum nas comunidades de software livre, e até upei um protótipo de planet para os blogs de ciência.

Agora, gostaria de anunciar o Periódico – que é também carinhosamente conhecido como Journal of the Brazilian Scientific Blogs Community – JBSBC.

Periódico é um planet, um agregador de blogs para a comunidade de blogueiros de ciência. Ele se alimenta dos feeds dos blogs agregados para apresentar conteúdo e entregar um feed unificado. Esse feed é redireciondo para posts em nossos bots no twitter e facebook. Todos os links são direcionados para os posts originais, e não há espaço para comentários no Periódico.

Eu manterei o Periódico apenas por querer contribuir com os divulgadores de ciências e fortalecer essa comunidade. Periódico nunca terá propaganda, e caso eu precise deixar a manutenção por qualquer motivo, tudo que for relacionado ao projeto, da URL até os perfis nas redes sociais, serão repassados para alguém que possa levar o trabalho adiante. Inclusive, o código-fonte do agregador está disponível sob uma licença AGPLv3.

Agora com o projeto apresentado, gostaria de utilizar este post como ponto de discussão sobre o Periódico e colher feedbacks dos interessados. Segue alguns tópicos que tenho interesse em discutir:

Posts completos vs Resumos

Ontem disponibilizei o link do Periódico para algumas pessoas no twitter e elas acharam melhor que o site exibisse apenas um resumo dos posts agregados. Atualmente ele está assim, mas particularmente preferia que ele apresentasse os posts da maneira como eles são disponibilizados nos feeds – uns inteiros, outros só resumo. Dependeria do feed agregado, apenas.

Percebo que há uma expectativa por parte dos blogueiros de que o Periódico possa competir em audiência com os blogs agregados, e a apresentação de resumos no lugar dos posts completos evitaria isso. Eu tenho algumas dúvidas se isso realmente aconteceria – eu penso que quem for chegando no Periódico irá, com o tempo, passar a acompanhar diretamente aqueles blogs que mais interessam, sem ter que ler posts de outros blogs. Pelo menos é isso que fiz na minha vida de acompanhador de planets.

Meu receio é que apresentando apenas os resumos, o Periódico não consiga gerar interesse na audiência e acabe ficando sem espectadores – o que, por consequência, não geraria interesse também nos blogs agregados.

Mas bem, essa é uma discussão que pode render bastante polêmica. =)

Curadoria dos blogs

Um agregador também tem um papel tácito bastante complicado, um fardo que não quero carregar sozinho – o trabalho de curadoria também significa que você está discriminando, o que no caso do Periódico implica em apontar quem bloga sobre ciência e quem não bloga.

Minha preferência é que, em casos polêmicos, uma espécie de “Conselho Editorial do Periódico” pudesse operar e auxiliar na admissão ou não de blogs. Por sinal, há algum espaço de discussão já existente onde isso pudésse ser feito?

Arte!

Ok, precisamos urgentemente de um logo para colocarmos no próprio site e nas redes sociais!

Com o decorrer das discussões posso lembrar de outros pontos e ir colocando no post.

(Imagem por Imagined Reality, liberada sob Creative Commons BY-NC-SA)

Written by Filipe Saraiva

November 1st, 2013 at 6:34 pm

Protótipo do Planeta Ciências Brasil

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Com o feedback positivo recebido pelo meu texto sobre a “crise” dos blogs científicos brasileiros e a apresentação da ideia de planet, resolvi configurar um protótipo desse tipo de site para os interessados darem uma olhada. O endereço está em http://saraiva.webfactional.com/ e, como você pode supôr, não se assuste se algum dia no futuro você passar por lá e ele estiver fora do ar. :)

Retomando conceitos já citados no post anterior, um planet é tanto um software (com várias implementações) quanto um conceito – ele agrega os feeds dos blogs de diversos membros de uma comunidade e replica esses posts. Assim, membros de uma mesma comunidade produzem e fazem circular entre si informação de interesse para este grupo.

Um planet convencional salva cópias dos posts de blogs agregados apenas durante um certo tempo. A medida que mais posts vão chegando, os antigos vão sendo descartados – logo, um planet não serve para guardar a memória da comunidade que ele faz referência. É por isso que muitas vezes os planets também são chamados de “rio de notícias”. Também é interessante notar que os posts replicados mantém os links para o post original, o nome do autor, link para o blog fonte e não há área de comentários. O feed do planet contém links para todos os blogs agregados. Ou seja, o papel do planet é fazer repercutir os posts da comunidade, e não se apossar dos mesmos.

O planet protótipo que coloquei no ar utiliza moonmoon (desenvolvido em php), não usa banco de dados e é de simples manutenção. O site atualiza os feeds cadastrados a cada 4 minutos; se há algum post novo, ele é copiado para o site e um mais antigo é descartado – ou, mais precisamente, o planet guardará o título do post e link para o post original, que pode ser acessado na página de arquivos.

Para finalizar farei algumas comparações entre planets e a abordagem que o Rubens Pazza está fazendo com o Bolsão de Blogs.

O Bolsão de Blogs utiliza um plugin WordPress para replicar posts dos blogs agregados em uma página. Atualmente o Bolsão mostra trechos dos posts, e não os posts completos. É possível ter links para as redes sociais dos autores dos feeds agregados, e há também uma categorização para cada blog.

Boa parte dessas funcionalidades são também possíveis de serem implementadas no planet, apesar de atualmente ele não as ter – mas não seria nada difícil, pois o código do moonmoon é bem simples.

A questão do trecho de texto vs texto completo é algo que permeia a história dos feeds desde a criação desta tecnologia. O planet mostra o feed como ele vem. Eu particularmente gosto da ideia de texto completo, até porque o post não será replicado no planet para sempre. Mas essa é uma discussão onde não há consenso.

Algo que aparentemente o Bolsão não oferece mas que o planet provê é o feed combinado de todos os blogs agregados. Talvez seja necessário apenas uma configuração no plugin utilizado no Bolsão para se conseguir isso – eu mantenho um planet usando WordPress e ele tem.

Bem, esse planet que configurei é apenas uma demonstração da tecnologia. Aproveitem o test drive e mandem seus feedbacks! ;)

Written by Filipe Saraiva

October 4th, 2013 at 10:57 pm

Um planet para os blogs de ciência do Brasil

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A blogosfera científica brasileira está há alguns dias num intenso debate sobre a queda no ritmo de produção de posts em praticamente todos os blogs que a compõem. Os principais questionamentos que surgiram foram “o que terá acontecido?” e “onde encontro ideias para blogar mais sobre ciência?”. O Gene Repórter tem um post com os primeiros atos dessa discussão e uma outra página com seus desdobramentos. No twitter é possível encontrar os diálogos sobre o tema a partir da tag #blogciencia.

Eu não sou um blogueiro de ciência (apesar de as vezes me arriscar no tema), e não sei se teria muito a contribuir com as principais perguntas levantadas. O que eu poderia dizer, baseado na minha experiência de manutenção deste blog (que já soma 6 anos de idade), é que há épocas em que você escreve mais, outras nem tanto, que é comum no início nos dedicarmos com mais afinco a alimentar um blog, mas que depois vamos diminuindo a quantidade de posts até chegar numa frequência mais condizente com as demais necessidades do nosso ritmo de vida em um dado momento.

Mas também deve ser levado em conta o tipo de blog que estamos tratando – e quando falo do tipo não estou me referindo ao tema do blog, e sim a sua proposta. Meu blog, apesar de não ser tão velho, bebe um pouco da ideia da primeira geração de blogs de servirem como “diário” virtual de seus autores. Entretanto, ao contrário de eu vir aqui escrever sobre meu dia-a-dia, escrevo sobre projetos que estou desenvolvendo, minha atuação em comunidades de software livre, minha opinião sobre determinados assuntos, etc. Nesse formato, apesar de ser sempre bom ter algo novo para seus leitores, não há uma pressão pela preparação contínua de notícias a serem escritas e disponibilizadas no blog.

Eu tenho a impressão que a ideia de uma “crise” dos blogs de ciência brasileiros, se ela existir, tem a ver mais com os blogs de formato jornalístico, responsáveis por criar e difundir notícias, que não estão necessariamente relacionadas com o dia-a-dia do autor do post enquanto pesquisador. Nesse formato há pressão pela produção de novidade, pela difusão, em grau muito maior do que no modelo diário. Acho que se os blogueiros estão buscando ideias sobre o que escrever, é porque a pressão por essa busca vem do modelo de blogs que eles criaram e geriram, em alguma medida mais próxima das redações de jornais onde há a obrigação diária de ter notícias a serem produzidas e divulgadas.

Entretanto, apesar de eu ter feito essa distinção entre blogs “diário” e “jornalístico”, é de comum acordo que os posts produzidos pelos autores de blogs diários tem informações que servem como notícia para o seu público. Ou seja, mesmo sendo um blog mais pessoal, onde o autor fala daquilo que desenvolve ou está envolvido, a informação produzida ali é de importância para a comunidade que comunga com o autor de um mesmo conjunto de interesses.

No mundo do software livre temos a prática de utilizarmos planets. Um planet é tanto um software (com várias implementações) quanto um conceito – ele agrega os feeds dos blogs de diversos membros de uma comunidade e replíca esses posts. Assim, membros de uma mesma comunidade produzem e fazem circular entre si informação criada muita vezes em blogs do tipo diário, mas que tem importância para aquele grupo.

Posso citar vários exemplos de planets: o dos desenvolvedores do kernel Linux; o da comunidade do KDE (onde sou desenvolvedor); do Gnome (com um belo layout); da comunidade de desenvolvedores de robôs ROS; o da comunidade de software livre do Piauí, que utiliza um plugin do WordPress. E há muitos mais, inclusive fora da área de tecnologia como esse sobre feminismo.

Não há nada que indique que a criação de um planet para os blogs brasileiros de ciência fará com que os blogueiros escrevam mais. Entretanto, há consequências que são interessantes – maior facilidade para seguir e encontrar blogs, maior circulação de posts entre os blogueiros, difusão mais rápidas de novas páginas, criação e fortalecimento de uma comunidade em torno do tema, e mais. Talvez isso ajude os escritores a terem mais ideias sobre o que escrever, mas não é nada garantido. Há também alguns problemas que devem ser equacionados, por exemplo quem seriam os responsáveis por definir que blog entra ou não no planet. Mas isso são questões contornáveis que a comunidade terá que decidir, caso ela siga por esse caminho.

Written by Filipe Saraiva

October 3rd, 2013 at 11:18 pm