O que será do Lev com o “fim” da Saraiva?

A seção de ebooks da Saraiva

Disclaimer: apesar do sobrenome, não tenho qualquer relação com a Saraiva. E também não tenho respostas para a pergunta do título.

Como usuário do Lev acompanho com interesse a agonia da Saraiva. A rede de livrarias, uma das maiores do Brasil, está há anos em um imbróglio judicial devendo diversas editoras, em um processo que inevitavelmente vai levá-la a falência ou a completa desfiguração da empresa.

Infelizmente nem a livraria nem a cobertura da mídia sobre o caso relataram qualquer informação sobre o braço de ebooks da empresa, que foi a única livraria no Brasil a implementar um sistema próprio de distribuição de ebooks, venda de dispositivos de leitura, e disponibilização de aplicativos nas principais plataformas (a Cultura comercializa o Kobo no Brasil mas funciona mais como uma filial da Rakuten Kobo).

Mas para quem acompanha o caso, foi possível perceber o gradativo abandono do projeto. Primeiro pararam de vender o próprio Lev; em seguida, praticamente não havia mais lançamentos de livros na loja; e agora, a seção de ebooks está vazia no site, conforme imagem do post.

O Lev não parece ter sido um grande sucesso de vendas e mesmo a qualidade do dispositivo de fato não é melhor que o Kindle, mas também não faz feio. É um leitor de ebooks com luz e bateria de longa duração, o que mais se espera de um dispositivo assim?

Entretanto o Lev – ou a loja da Saraiva, não sei ao certo – tem uma característica que gosto muito e foi o que me fez optar por este leitor: aparentemente, não há DRM nos livros do Lev. É possível simplesmente plugar o dispositivo em um computador e copiar o ebook em formato epub padrão e abrir em outro dispositivo ou computador, sem ter que utilizar o Callibre ou outros burladores de DRM.

Isso é de suma importância para backups e gerenciamento desse tipo de conteúdo. A alternativa, caso não se queira quebrar o DRM, é torcer para que a nuvem de armazenamento das lojas nunca apague o seu livro, como a Amazon já fez no passado.

Inclusive essa situação da Saraiva serve de mostras sobre como essas plataformas, que vendem conteúdo e os limita em seus cercadinhos, se portam quando a empresa responsável pelo negócio está em processo de insolvência. Será que a Saraiva vai disponibilizar algum sistema para que os usuários baixem os livros digitais comprados anteriormente? Esses livros perderão o DRM para ser lidos em outros dispositivos, posto que o leitor oficial já nem é mais vendido e nem tem suporte?

Para minha situação particular, o que não queria era ter que aderir ao Kindle e ficar mandando uma grana e dados pro Bezos por todo livro digital que eu comprasse e lesse, além de ter que utilizar quebradores de DRM quando há opções que “teoricamente” não os utiliza.

Como fã do Lev, vou finalizar com um delírio: que as editoras que estão cobrando a Saraiva criem um consórcio que vire dono e administre a plataforma de ebooks. Assim as editoras podem utilizá-la diretamente e deixar o Kindle para lá.

Marcações:

3 comentários em “O que será do Lev com o “fim” da Saraiva?”

  1. Pois é, Filipe. Também tenho um Lev e sou muito fã dele tanto pela questão do DRM, como você colocou, como também pelo PDF Reflow, que ajuda bem a leitura de documentos em PDF. Seria realmente sensacional se essa sua ideia se concretizasse. Melhor ainda seria se eles lançassem mais uma versão, usando as opções de e-ink colorida que estão surgindo. Se é pra delirar, vamos delirar direito. 😀

    Abração!

  2. Primeiro comentário que vejo sobre o LEV e ebooks da Saraiva, que, parece, infelizmente, caminha à passos largos para o fim. Amo meu leitor e o sentimento é de desamparo, nesse momento. Ninguém se manifesta…A idéia é ler o que foi baixado e descartar o dispositivo? Inconformada…

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