A PM de São Paulo na Marcha da Maconha – “Polícia para quem precisa de Polícia”

No último sábado estava programada a Marcha da Maconha em São Paulo, evento que ocorre em várias cidades do mundo, organizado de forma descentralizada a partir de militantes em rede que discutem e debatem a questão da legislação das drogas, controle do estado, saúde, crime organizado e outros temas pertinentes à questão.

A organização da marcha em São Paulo sempre foi muito complicada. O Ministério Público, através do Gaerpa (Grupo de Atuação Especial de Repressão e Prevenção aos Crimes Previstos na Lei Antitóxicos) sempre consegue expedir uma liminar na véspera do evento, proibindo-o de acontecer. Entre os argumentos, há até  aqueles que relacionam a marcha em si com o crime organizado. As provas, se existem, não sei onde conseguem…

A repressão à liberdade de expressão de uma pauta da sociedade que não afeta ou restringe qualquer direito humano de outro cidadão (muito ao contrário, por exemplo, das recentes manifestações xenofóbicas e homofóbicas vistas por aqui), é em si um ato ruim para a pretensa base democrática do país em que vivemos. Mas isso que já era ruim, consegue piorar com as atitudes dos policiais militares de São Paulo durante o ato.

O video acima foi feito pelos jornalistas da Revista Trip. Percebe-se que a manifestação, que para burlar a proibição judicial, tornou-se Marcha pela Liberdade de Expressão, ocorria bem, sem problemas. Manifestação pacífica, como diriam.

Até quando a polícia parte para cima dos jovens. A tropa de choque, batendo o cassetete nos escudos. Disparando balas de borracha e arremessando bombas não só em quem participava do ato, mas em quem passeava pela Av. Paulista. Gás lacrimogênio e bombas de efeito moral. Os policiais tiraram suas identificações, que normalmente ficam nas roupas. Também usaram helicóptero durante a operação. Deviam ser jovens muito perigosos aqueles.

Para quê isso? Correria, perseguição e violência partindo dos policiais sobre jovens que estavam pacificamente fazendo uma passeata por algo que acreditam e querem criar o debate. Vale ressaltar: uma manifestação legítima sobre algo que não aflige qualquer direito humano do outro, de outra pessoa da sociedade.

Jovens foram presos pelos motivos mais torpes. Entre eles, por distribuir um jornal (apenas os estados fascistas prendem quem distribui jornal) e outro por ter um colar com um pingente em forma de… coqueiro. Veja aqui.

No meio da confusão, nem a imprensa foi dispensada da agressão. Este video traz a situação ridícula de uma policial usando spray de pimenta na câmera de um cinegrafista; entre outros atos de autoritarismo e violência gratuita.

Enquanto isso, os grandes criminosos do país ficam soltos, impunes. E a polícia paulista acreditando que está salvando o mundo, com pose de heróis enquanto espancam manifestantes. Não estou falando isso sem provas; os videos estão aí para demonstrar.

Um outro fato digno de nota: durante a concentração da marcha, um grupo de fascistas se posicionou no local para manifestar-se contra a liberação da maconha. Quando os policiais partiram pra cima dos militantes da marcha, o que fizeram os fascistas? Claro, bateram palmas à policia.

A repercussão foi tão negativa que a própria PM decidiu abrir sindicância para apurar se houve ou não abuso na repressão ao ato. Por mim, as imagens falam por si.

Mas sem desânimo: próximo sábado, dia 28 no vão do MASP, uma Marcha pela Liberdade foi convocada, apoiada por vários grupos e coletivos de diversos matizes para protestarem contra a repressão policial e pela liberdade de expressão. Outras marchas da maconha ocorreram e ocorrerão em outras cidades do país – e, a exemplo das que houveram no Rio, Recife, Porto Alegre e Curitiba, que sejam sem uma polícia repressora e abusiva como a de São Paulo, lugar onde, pelo jeito, a maneira civilizada de se viver e tratar os movimentos sociais não existem mais.

PS.: existe uma provocação para que o STF julgue se a Marcha da Maconha é legal ou não. O argumento, que embasa todas essas decisões que proíbem a marcha, parte da interpretação de que “a defesa da legalização constitui apologia ao crime”. Então, fiquemos de olho em mais esse interessante debate que ocorrerá na suprema corte do país.

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