Recortes da minha opinião sobre a situação na USP

Ainda não tive tempo de escrever um texto específico sobre a situação na USP aqui no blog, mas deixo alguns recortes sobre o que escrevi por aí e alguns links para opiniões da qual sou a favor.

Tá rolando uma imagem aí dividindo os alunos da USP em 2 tipos: os que estudam e publicam e os que vão para manifestações encapuzados.

Gostaria então de lhes avisar que existe um terceiro tipo, ao qual me incluo: o das pessoas que estudam, publicam, desenvolvem ciência E participam das manifestações, debatem criticamente a universidade e, se necessário for, estará encapuzado também para evitar a perseguição da administração superior da USP, que já ocorreu antes.

Larguem mão desse maniqueísmo tolo e anacrônico. Vão procurar saber o que se passa na USP para além das bobagens que a mídia escreve, que se apega ao que não tem importância para garantir o espetáculo das notícias.

O que a mídia não mostra, na ridicularização que faz dos estudantes, é que a PM no campus é antes uma manobra da reitoria para impedir a livre organização e manifestação de organizações sindicais e estudantis dentro do campus. Ela não fala por exemplo, que em 2009, para impedir uma manifestação dos trabalhadores em greve com apoio dos estudantes, ela colocou a PM no campus que usou bomba, bala de borracha, gás e helicóptero contra os manifestantes. Tem vários vídeos no youtube, aqui tem um:

 

E essa PM de São Paulo é a mesma PM que fez uma das coisas mais ridículas do ano, a repressão com extrema violência contra a marcha da liberdade em Sampa. A PM de São Paulo é a mesma que, em 5 anos, mata mais pessoas que todas as forças policiais dos EUA no mesmo período. – http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/em-cinco-anos-pm-de-sao-paulo-mata-mais-que-todas-as-policias-dos-eua-juntas-20110607.html

Então, a ocupação que está acontecendo na reitoria da USP é resultado de um longo processo de atritos entre uma reitoria que não sabe negociar com estudantes, técnicos e professores, que se utiliza da PM para acirrar ainda mais os ânimos. E vale lembrar, o reitor da USP, que desde quando foi diretor da Faculdade de Direito já colocava PM no prédio pra bater em estudante e trabalhador, não foi vencedor na consulta universitária para reitoria. Ele perdeu e foi conduzido ao cargo porque o que venceu, prof. Gláucio aqui de São Carlos, tinha proximidade com o PT e o Serra não queria colocá-lo em cargo de tal prestígio. Só em outro momento a USP teve um reitor não reconhecido pela comunidade: na época da ditadura, quando o governador era o Maluf.

Para finalizar, mais 2 questões. A primeira, esse discurso bobo de que existem dois lados, os estudantes que estudam e os estudantes que protestam. Que bobagem! Isso é para deslegitimar o pensamento e a ação crítica na sociedade? Quem vai pra manifestação é sinônimo de vagabundo, de quem não estuda? E quem estuda, não pode se envolver politicamente no local em que se encontra? Que discurso é esse? É a criminalização dos movimentos sim, e pior, criminalização do pensamento crítico, que te diz “olha, vai estudar, se você quer estudar você não pode se meter com isso”. Pois bem, como disse na nota original dessa thread, sou totalmente contra isso e sou um contra-exemplo sobre essa baboseira que estão repercutindo por aí, sem qualquer análise sobre o tipo de consequência que esse discurso sugere e o tipo de sociedade que ele quer ver instaurada.

 

A última questão, finalizando, o que me deixa mais entristecido com a situação é a reação sem limites, violenta, desmedida, de algumas pessoas que são mais contra os estudantes do que contra o ato propriamente. Eu aceito que as pessoas discordem do ato, da maneira como o ato foi construído, etc. Mas daí para você ver pessoas minimamente “esclarecidas”, que ao estudaram, defendendo que a PM desça o cacete nos estudantes, bata na galera, “chama o BOPE pra esses playboy” (como se o perfil de um “playboy” fosse o perfil do estudante médio da USP, e pior, como se pelo fato do cara ser um “playboy” ele merecesse apanhar), e coisas do tipo, é de uma intolerância totalmente sem fundamento e que acho até mesmo irracional, desprezível. Coisas assim, só havia ouvido falar de quem viveu a ditadura.

 

A USP foi violentada por centenas de policiais, veículos, cavalaria, esquadrão anti-bomba, helicóptero… não há como defender isso!

 

Links que recomendo para entender o que acontece na USP. Em especial, sugiro fortemente a opinião do prof. Pablo Ortellado (A cortina de fumaça da segurança na USP – http://ur1.ca/5ol8w) para entender a dinâmica autoritária do quadro de direção da universidade.

 

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