Filipe Saraiva's blog

Tecnologia, sociedade e política.

Archive for the ‘Cultura Livre’ Category

Ajude a criar a programação do FISL 15

without comments

O Fórum Internacional de Software Livre (FISL) chega à sua 15ª edição e continua sendo referência para a comunidade de software e cultura livre latino-americana.

Você pode tanto participar da programação do FISL quanto ajudar a criá-la. Diversas modalidades de submissão de atividades encontram-se abertas, e você pode clicar nos links abaixo para saber mais informações.

A Chamada de Palestas foi prorrogada até o dia 27 de fevereiro, mesmo já havendo 413 propostas cadastradas! Esta é a forma de submissão de atividade mais convencional onde você descreve um tema sob qual irá palestrar.

A Chamada para Encontros Comunitários é voltada para comunidades de usuários/desenvolvedores que queiram fazer um pequeno encontro no espaço do FISL. O tempo disponibilizado pode ser um pouco maior que o de uma palestra (até 1 hora e 40 minutos de atividade). Submissões até dia 10 de março.

Uma das melhores atrações do FISL com certeza é o espaço dos grupos de usuários. Se você quer ter a sua comunidade por lá fique atento ao prazo e requisitos da Chamada de Grupos de Usuários. As propostas para participação desse espaço vão até dia 10 de março.

A Chamada para o Workshop de Software Livre (WSL) é o lado mais acadêmico do FISL. Aqui, pesquisadores acadêmicos do software livre, cultura livre, e mais, apresentam resultados de suas pesquisas em painéis científicos divididos por temas. Há diversos tipos de submissão de artigos e o deadline vai até dia 8 de março.

Mandem suas atividades e nos encontramos no FISL! ;)

Open Access na área de Inteligência Artificial

with 3 comments

O movimento pelo acesso aberto à produção científica (também conhecido como Open Access, Ciência Aberta, e outros nomes) já não é novidade há uns bons anos. Desde seu surgimento já tivemos diversos manifestos, lançamentos de revistas específicas que adotam essa política, algumas editoras permitindo a publicação de artigos nesses moldes em revistas convencionais, debates sobre formatos, tentativas de implementação de políticas públicas sobre o tema, sociedades científicas disponibilizando os anais de suas conferências para o público em geral, e mais.

Recentemente a Sociedade Brasileira de Automática (SBA) tornou público os artigos apresentados das edições de 2001 à 2011 do Simpósio Brasileiro de Automação Inteligente (SBAI), importante fórum de pesquisadores da área de automação, inteligência artificial, otimização, robótica, e afins.

Aproveitando esse episódio resolvi começar uma lista, ainda que incompleta, com conferências e revistas de acesso aberto da área de inteligência artificial e suas sub-áreas. O que me chamou atenção é que há um número até razoável de conferências e revistas desse tipo com alto impacto na comunidade de pesquisadores quando levamos em conta o índice Qualis para ciência da computação (extratos A1-A2-B1), que também atribui notas para conferências. Utilizei o índice definido na Avaliação Trienal 2010, pois o índice para conferências da Avaliação Trienal 2013 ainda não foi publicado.

Isso foi uma constatação positiva pois uma das críticas que o Open Access recebe é o baixo impacto de publicações desse tipo quando comparadas à publicações fechadas, já estabelecidas há mais tempo.

Vamos à lista, e se você tiver alguma contribuição favor colocar nos comentários que irei atualizá-la aos poucos:

Revistas

Conferências

Aproveitando o tema gostaria de parabenizar a Association for the Advancement of Artificial Intelligence (AAAI), ex-American Association for Artificial Intelligence, por disponibilizar os anais de todas as suas conferências e ainda apoiar o Journal of Artificial Intelligence Research e o International Joint Conference on Artificial Intelligence. Você pode visitar a biblioteca digital da AAAI e baixar os artigos das revistas, conferências, e relatórios técnicos, ficando exclusivo para sócios apenas os artigos da revista não-científica AI Magazine. Gostei bastante dessa política da entidade e, como a defesa do acesso aberto é um tema caro para mim, pretendo associar-me à AAAI assim que possível.

E você de outra área, já teve curiosidade em buscar por revistas e conferências de acesso aberto em seu campo?

* Importante dizer, a revista Artificial Intelligence, publicada pela Elsevier, não é de acesso aberto. Entretanto, você pode criar um cadastro gratuito na IJCAI e ter acesso ao conteúdo da revista – o que não garante que estes artigos estarão disponíveis sempre.

PLS 387/2011 – Projeto de Lei para Acesso Aberto à Produção das Universidades Públicas Brasileiras

with 8 comments

Art. 1º As instituições de educação superior de caráter público, bem como as unidades de pesquisa, ficam obrigadas a construir repositórios institucionais de acesso livre, nos quais deverá ser depositado, obrigatoriamente, o inteiro teor da produção técnico-científica conclusiva dos estudantes aprovados em cursos de mestrado, doutorado, pós-doutorado ou similar, assim como, da produção técnico-científica, resultado de pesquisas científicas realizadas por seus professores, pesquisadores e colaboradores, apoiados com recursos públicos para acesso livre na rede mundial de computadores.

E assim começa o Projeto de Lei do Senado nº 387 de 2011, de autoria do senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Essa iniciativa se baseia no chamado “modelo verde” de acesso aberto, onde universidades e centros de pesquisa criam repositórios institucionais próprios, de livre acesso, aos quais os pesquisadores filiados submetem sua produção científica em paralelo às submissões para publicações convencionais.

O projeto também define pontos importantes como o uso de metadados padronizados internacionalmente, com vistas à futura integração de repositórios, e de que forma trabalhos protegidos por contratos de propriedade intelectual ou patentes devem ser disponibilizados.

O PLS é arrojado, e particularmente gostei bastante do que li. Ele coloca todas as instituições públicas de pesquisa, que recebem investimentos públicos para desenvolverem suas atividades, a disponibilizarem para livre acesso tudo aquilo que é produzido em suas salas de aula e laboratórios. Pelo que apurei não há qualquer outro país com projeto tão abrangente, que disponibilize resultados de todas as áreas de pesquisa e de todas as instituições, independente de qual agência de fomento tenha financiado o estudo. É uma maneira de popularizar a ciência feita no Brasil, além de finalmente tornar público à sociedade o resultado do investimento que a mesma faz na instituição Universidade.

Entretanto o que me chamou atenção foi a aparente distância da sociedade civil organizada que tem interesse próximo ao tema. Cito em especial os grupos de software livre, cultura livre, transparência, controle público, hackers, grupos de educação, sociedades científicas, executivas estudantis, sindicatos e todos aqueles que tem o compartilhamento do conhecimento como bandeira política. Aparentemente, apenas o IBICT se mobilizou em favor da lei.

A sociedade civil precisa participar desse debate e levá-lo adiante. Esse projeto é um marco importante para a pauta do acesso aberto no país, e todos os grupos com afinidade ao tema devem se mobilizar. Essa luta é da sociedade civil, e caso não se organize, perderá a oportunidade de ver o projeto aprovado. Afinal, do outro lado, temos o poderoso lobby das editoras científicas, um grande mercado com altos lucros e poucos custos, que está fazendo todo o possível para manter seu poder, em especial nos países em desenvolvimento cujo tema do acesso aberto não está tão avançado quanto em alguns países desenvolvidos.

E quando falo do lobby desses grupos, não estou criando um inimigo imaginário que serviria como catalizador para nossa mobilização. Quem milita nesse tema e acompanhou a Sociedade Brasileira de Computação [1], Sociedade Brasileira de Físia [2] ou Sociedade Brasileira de Automática [3] nos últimos anos, sabe do poder que essas editoras tem e do que elas são capazes de [1][2][3] mudar [1][2][3].

Você pode conferir o texto do projeto de lei na íntegra, além da tramitação e demais informações.

Written by Filipe Saraiva

April 26th, 2013 at 11:38 pm

“Contribuindo com Projetos de Software Livre”, sexta-feira na Campus Party 2013

without comments

A Campus Party Brasil é um dos maiores eventos de tecnologia realizados no país. Seguindo o modelo camping, milhares de entusiastas da tecnologia (estima-se que essa edição atingiu 8.000 visitantes) passam uma semana acampados com seus computadores conectados à uma internet ultrarápida e com grande largura de banda, além de participarem de mini-cursos e palestras que vão da história dos vídeo games até como construir foguetes, como desenvolver software para plataformas mobile, como está o front de batalha no ciberespaço, e mais.

Em todas as suas edições, a Campus Party sempre reservou um espaço legal para as comunidades de software livre, e esse ano não foi diferente. Durante a semana houveram diversas palestras, mini-cursos e mesas voltadas ao código aberto, à luta pela privacidade no ciberspaço, marco civil da internet, tensões entre a cultura do remix e os detentores do copyright, entre outros.

Fui convidado para participar nesta sexta-feira da mesa “Contribuindo com Projetos de Software Livre“. Adianto que minhas falas apresentarão a minha história dentro das comunidades em que atuo (KDE, Scilab e Mageia), como comecei a contribuir, e como os interessados poderão começar também.

Outra ideia que tentarei repassar é a diferença de contribuições que existem entre distros e projetos upstreams. Tenho a impressão que a maioria dos usuários de software livre não percebem que por trás de uma distro Linux que empacota e entrega diferentes softwares livres existe, literalmente, milhares de comunidades de desenvolvedores que precisam de sua ajuda para fazer avançar o ecossistema gerado em torno do projeto.

Então é isso pessoal, vejo vocês mais à tarde!

Written by Filipe Saraiva

February 1st, 2013 at 10:31 am

Stallman em São Carlos

without comments

(Texto de divulgação da palestra escrito pela Assessoria de Comunicação NAPSoL)

O lançador do movimento Software Livre realizará a palestra A Free Digital Society no dia 11 de dezembro, às 10h, no auditório Prof. Fernão Stella de Rodrigues Germano do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC). O evento é realizado pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre (NAPSoL).

A palestra tratará a inclusão digital e suas ponderações, será aberta ao público e ministrada em inglês. O evento será transmitido pela IPTV USP (http://iptv.usp.br/portal/home.jsp) e PósTV (http://www.postv.org/).
As inscrições podem ser feitas através do site: http://www.icmc.usp.br/Portal/Sistemas/Eventos/inscrever.php?evid=101.

Richard Stallman (Foto: Divulgação)

Abstract

Activities directed at “including” more people in the use of digital technology are predicated on the assumption that such inclusion is invariably a good thing. It appears so, when judged solely by immediate practical convenience. However, if we also judge in terms of human rights, whether digital inclusion is good or bad depends on what kind of digital world we are to be included in. If we wish to work towards digital inclusion as a goal, it behooves us to make sure it is the good kind.

Sobre Richard Stallman

Lançou o movimento Software Livre em 1983 e iniciou o desenvolvimento do sistema operacional GNU em 1984. O GNU é um software livre em que cada usuário tem a liberdade de copiá-lo e redistribuí-lo, com ou sem alterações. O sistema GNU é a base do Linux atual, utilizado em muitos computadores.

Stallman também é fundador do Free Software Foundation (FSF), colaborador da Harvard University e recebeu prêmios como o ACM Grace Hopper, MacArthur Foundation Fellowship, Electronic Frontier Foundation’s Pioneer, o Prêmio Takeda por melhoria social / econômica e vários doutoramentos honoris causa.

Serviço:
Idioma: Inglês
-Título: A Free Digital Society
- Ministrante: Richard Stallman
- Data: 11/12/ 2012
- Hora: 10h00.
- Local: Auditório Professor Fernão Stella de Rodrigues Germano ICMC-USP – Av. Trabalhador são-Carlense, 400, Centro – São Carlos – SP
- Inscrições: http://www.icmc.usp.br/Portal/Sistemas/Eventos/inscrever.php?evid=101

Entrada gratuita.

Written by Filipe Saraiva

December 10th, 2012 at 8:31 pm

Concurso Crie o Konqi com Krita

without comments

(Texto original Contest: Create Konqi with Krita disponível no portal dot.KDE)

Konqi, nosso amável dragão, tem sido por mais de 10 anos o mascote do KDE. Chegou a hora de darmos um novo visual a ele!

O administrador do Fórum KDE, Neverendingo, está organizando um concurso junto com a comunidade Krita! Existem dois prêmios: um DVD + Comics pack e a última e original camiseta do primeiro sprint do Krita! E claro, fama imortal! O juri consiste dos conhecidos artistas Animtim, Deevad e Nuno Pinheiro.

Então, abra o Krita e comece a pintar!

As regras a serem seguidas são:

  • O desenho deve ser feito no Krita
  • A arte será lançada sob a licença LGPLv2+
  • O desenho deve honrar o Código de Conduta do KDE, o que significa, por exemplo, que o Konqi não deveria estar batendo em um gnomo de jardim com uma grande marreta

O importante é que deve ser uma imagem inspiradora, versátil, sem fundo e que auxilie na publicidade do KDE.

Quando você tiver terminado, vá ao Fórum Krita do Concurso e adicione sua imagem. Crie um tópico para cada submissão. Faça quantas submissões você quiser. E fique a vontade para atualizar seu trabalho com novos posts no mesmo tópico.  Cada competidor poderá ter apenas uma imagem no concurso; para tanto, será usado o seu trabalho mais recente quando atingirmos a data máxima de submissão. O concurso já começou e você tem até dia 31 de janeiro para submeter sua arte!

Written by Filipe Saraiva

December 9th, 2012 at 2:02 pm

PDF – extensões que quebram o padrão e a “Solução Poppler”

with 25 comments

Recentemente comprei um tablet com o principal objetivo de utilizá-lo para leituras em geral, em especial de artigos científicos, facilitando assim o gerenciamento, armazenamento e reduzindo o número de impressões que faço deste tipo de documento. Por conta disso, uma das funcionalidades que adoraria utilizar seria a possibilidade de fazer anotações nos arquivos que leio no tablet, manter estas anotações nos arquivos, abrir estes mesmos arquivos em um computador convencional utilizando outro software, e ainda assim conseguir visualizar e manipular as anotações feitas anteriormente.

O formato mais comum destes documentos serem encontrados é o Portable Document Format – ou PDF, que tem como característica a manutenção da formatação do documento independente da plataforma utilizada para lê-lo. O PDF é um formato originalmente desenvolvido pela Adobe em 1993 para sua suíte Acrobat, e por conta da fidelidade de formatação e independência de plataforma tornou-se um dos “padrões de fato” para compartilhamento de arquivos digitais.

As especificações do formato PDF foram durante muito tempo propriedade exclusiva da Adobe, e aqueles que queriam desenvolver alguma solução utilizando o formato tinham basicamente duas opções: ou recorriam ao pagamento de royalties para a empresa ou se empenhavam nas técnicas de engenharia reversa sobre o formato.

Isso perdurou até o ano de 2008, quando a versão 1.7 da especificação do PDF foi submetida pela Adobe à ISO, na tentativa de torná-lo um padrão aberto. Após os trâmites convencionais da organização, o PDF 1.7 entrou para  rol dos formatos abertos de documento, publicado pela ISO sob o código 32000-1:2008. Você pode ter acesso ao documento pagando 238 francos suíços (253 Obamas quando este texto foi escrito) ou baixando gratuitamente uma cópia no site da Adobe.

O documento, um verdadeiro calhamaço de 756 páginas, traz as descrições completas do formato e também funcionalidades extras. Temos lá a sintaxe, como tratar gráficos, com tratar fontes, como encriptar o acesso, transparências, como adicionar áudio e vídeo ao PDF (você sabia que isso é possível?), como criar formulários interativos (sabia dessa também?) e, entre muitas outras, temos a descrição do suporte a anotações (seção 12.5).

Entretanto, apesar da existência de um padrão de suporte a anotações em PDFs, a aplicação desta especificação é totalmente dependente da implementação realizada pelos desenvolvedores. Apenas a existência de um padrão internacional ISO, documentado e certificado, não garante que todas as implementações que levam o nome do formato, de fato, estejam implementando aquilo que está especificado no padrão.

E este é um dos grandes problemas que afetam o formato PDF. Diversas implementações seguem apenas um subconjunto da especificação padrão, notadamente a renderização dos arquivos, tratamento de fontes, etc. Demais funcionalidades que permitem o uso dos arquivos desse formato para além da visualização fiel de documentos, ou muitas vezes não são implementadas, ou pior, são implementadas de uma forma que não seguem a especificação do padrão.

Esta tática é comumente utilizada por alguns atores da indústria de software para manter, a força, os usuários nos domínios de seus produtos, impedindo a migração ou mesmo o uso simultâneo de soluções diferentes para um mesmo fim.

Daí decorre a confusão de normalmente acharmos que não há um padrão para o uso de anotações em PDF: na verdade ele existe, mas é sumariamente negligenciado por empresas que desenvolvem softwares nesse campo, onde estas preferem implementar um padrão próprio não compatível com a especificação e não compatível com outros programas similares.

A solução para este problema é um pouco complicada. No mundo ideal, todos os leitores de PDF e bibliotecas associadas deveriam implementar a especificação ISO 32000-1:2008, mas não vivemos nesse mundo. Uma possibilidade seria termos conhecimento a priori se determinado software implementa ou não a especificação padrão, mas dificilmente encontramos esta informação de uma forma fácil.

Portanto, uma das saídas é elencar quais funcionalidades você gostaria de utilizar que não fossem dependentes de apenas um distribuidor, e sair testando a esmo quais delas são compatíveis em quais softwares. Outra saída seria utilizar softwares leitores de PDF baseados em Poppler, que implementem as funcionalidades que você deseja.

Poppler é uma biblioteca livre (GPL 2) multiplataforma voltada para renderização de PDFs, e implementa o padrão ISO 32000-1:2008. Esta biblioteca é um projeto apoiado pela freedesktop.org, iniciativa que provê padrões interoperáveis entre os diversos ambientes desktop livres e unix’s em geral. Poppler atingiu um nível de maturidade suficiente para que a Free Software Foundation retirasse o desenvolvimento da biblioteca GNU PDF de sua lista de projetos de alta prioridade.

O software leitor de documentos universal do KDE, Okular, durante alguns anos teve como o pedido de funcionalidade mais recorrente o suporte a anotações em PDFs. O software até lia anotações que seguiam o padrão ISO, mas não as salvava como metadados do próprio PDF. Até então, o Okular utilizava um “truque” para suportar anotações em todos os tipos de documentos que ele lê criando um formato de projeto .okular onde eram salvos o arquivo em si e os metadados das notas.

Após a adoção da versão 0.20 da biblioteca Poppler no último lançamento do KDE 4.9, o Okular versão 0.15.2 passou a suportar a gravação das anotações no próprio PDF. Para tanto, basta após a realização das anotações, ir em Arquivo -> Salvar Como. Na imagem abaixo, temos o arquivo PDF com duas anotações realizadas no Okular:

Para testar o suporte destas anotações em outro software, abri-o no Evince, o leitor de documentos do Gnome que também usa a biblioteca Poppler. Eu não consegui fazer anotações nesse software (acho que ele não suporta esta funcionalidade <UPDATE> O leitor Alexandre Harano descobriu como fazer anotações no Evince: “com o documento aberto, habilite o Side Pane através do botão F9. Uma vez que o side pane esteja aberto, troque onde está escrito Index (ao lado do X para fechar a aba) por Annotations.” Uma funcionalidade meio escondida, acredito que precisa melhorar esta usabilidade. Obrigado Alexandre! </UPDATE>), mas ele conseguiu apresentar as anotações anteriormente realizadas no Okular:

Portanto, vale lembrar: Poppler dá suporte a funcionalidades e segue a maneira como estas são especificadas no padrão PDF; entretanto, o software que utiliza Poppler ainda deve prover o acesso a estas funcionalidades. É possível encontrar na página wiki do projeto uma lista de leitores de PDF que utilizam Poppler.

Entretanto, o Poppler deve ser tratado como uma “quase solução” para o problema que relatei no primeiro parágrafo. No Android, até o momento, não temos um bom leitor de PDFs baseado nessa biblioteca. Existe o apdfviewer, mas de acordo com seu repositório faz algum tempo que ele não é mais desenvolvido. Portanto, para o problema de manter anotações em PDFs e  compartilhá-las entre distribuições GNU/Linux e Android, a saída seria desenvolver um novo leitor PDF baseado em Poppler, fazer um fork do apdfviewer e implementar o que falta, ou fazer os testes a esmo sobre a compatibilidade dessa funcionalidade.

Portanto, gostaria de convidar quem se interessou pelo tema a compartilhar nos comentários quais os leitores PDF que você utiliza, em qual plataforma os usa, se eles seguem um padrão que permite a você utilizar as funcionalidades em um e outro, e mais assuntos sobre o tema. Inclusive, seria muito útil criarmos uma tabela para visualizarmos quais funcionalidades são compartilhadas por quais softwares leitores de PDF que temos disponíveis por aí. Você pode baixar artigo de uma página com as anotações que utilizei como exemplo neste link.

<UPDATES>

Eu e alguns amigos realizamos testes no arquivo PDF com anotações linkado acima em vários softwares. Quem estiver fazendo também, por favor vá colocando nos comentários que irei atualizando o texto:

Adobe Reader 9 (Linux, software proprietário e grátis) – abriu as anotações corretamente. Não sei se anotações feitas nele abre nos demais.

Evince (Linux, software livre, desenvolvido pelo time do Gnome) – mostrou tanto o destaque de texto quanto a anotação, mas aparentemente não é possível fazer anotações com ele e é possível criar anotações com ele.

ezPDF (Android, software proprietário e pago) – abriu as anotações corretamente (dica do Fred, obrigado!).

Mantano (Android, software proprietário e grátis) – não abriu as anotações.

MyLibrary (Android, , software proprietário, exclusivo da ASUS) - não abriu as anotações.

Nitro PDF Reader (Windows, software proprietário) - abriu normalmente as anotações (valeu Havokdan!).

Okular (Linux, software livre, desenvolvido pelo time do KDE) – foi com ele que fiz as anotações e está tudo documentado nesse texto.

PDF Annotation (Android, software livre) – abriu a anotação mas não o destaque de texto. É possível fazer anotações com ele, mas não destacar texto (dica da Fabianne, valeu!).

pdfjs (Firefox, software livre) – um complemento para abrir PDFs no Firefox, eu fiz os testes mas abriu apenas a anotação, e não o destaque de texto. Não sei se é possível fazer anotações nele.

Sumatra PDF (Windows, software livre) - realça as partes com anotações, mas não as abre (obrigado Aluísio).

Visualizador de PDFs do Chrome (Chrome, software proprietário) – não apresentou as anotações (obrigado Alcemir!);

</UPDATES>.

P.S.: se você não conhece, visite o site pdfreaders.org, mantido pela FSFE, que contém vários softwares livres leitores de PDF. O objetivo é criar um repositório e uma conscientização de que leitor de PDF não é necessariamente Adobe Reader. Aliás, eu fiz a tradução do site para o português nos idos de 2009. :)